
Passa os dias a plantar árvores. Arquitetando moradas de passarinhos.
Sombra e água fresca, semeia. Nada para si, para os netos, os netos deles.
Arruma o futuro, coisa de quem saboreia imortalidades.
A cada árvore que finca no chão são mais sementes, mais folhas, mais renasceres.
Os vizinhos, ao cabo do primeiro ano, vieram ver.
Também notaram que ela perfumava.
Cheira a relva, a flor de laranjeira, a dama da noite, conforme o dia.
Quando sorri, são como vagalumes, os sorrisos, alam-se.
Depois do quinto ano passado, já colheu riachos.
Foi quando apareceram os peixes.
Começou a reparti-los, como é de preceito.
E os vizinhos, os ovos, o leite, as flores e mel.
Entendeu então que semeia o tempo da fartura.







