terça-feira, 9 de março de 2010
cadeias
Brincos contam histórias. Cara de bebê não tem sexo, viram atestado.
Se a mãe não furou, na puberdade a menina inaugura-se mulher. Primeiro tesão.
Grandes argolas, perolazinhas, de um lado só, em cascata. Todos simbolizam.
Às vezes o namorado engole, com a idade a orelha pende, fica o rastro, uma fenda no lóbulo.
As mais pobres não deixam faltar.
Quando menos se tem, maior o apreço, único enfeite é
o que enfeita mais.
Um talismã além da vaidade, para revelar de propósito o mistério.
Na falta de aro, a companheira usou cabelo trançado.
Matéria de força, para valer mais que ouro.
Dormiam as duas na mesma cela.
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